sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dia 04 - Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2012.

Quase que não entro hoje para escrever. Mas como tinha me comprometido em escrever sobre certezas, incertezas, desânimo e ânimo, lá vai.

Bom, acho que para parar de fumar você deve estar convicto de sua decisão. Você tem que estar determinado a largar esse vício. Esqueça que as pessoas irão dizer "Meu avô parou de fumar há uns 30 anos e ainda sente vontade de fumar". Posso garantir que isso não é nem verdade e tão pouco trata-se de uma mentira. Depois de tanto tempo associando o vício à hábitos cotidianos, é possível que em algum momento ou outro do seu futuro sem nicotina, você venha a fazer uma reassociação. Isto me parece possível, uma vez que o cigarro sempre se associou. Já disse isso, mas é importante repetir: o cigarro se associa. Não é ele quem te acalma, relaxa ou fecha com chave de ouro uma refeição maravilhosa. Ele tão pouco é uma muleta. O problema é que depois de tanto tempo injetando pequenas doses da droga para dentro do seu organismo, ele se confunde com o bem estar "proporcionado".

Dito isto é importante ter certeza. Na verdade, basta uma pequena certeza. Confie em mim. Uma pequena certeza e um pouco de ojeriza. Uma das armas secretas dessa batalha é ojeriza. Pelo menos no meu caso. E reforço que tal ojeriza deve ser direcionado à nicotina e não aos outros fumantes. Aprenda uma coisa, se você vai parar de fumar, não se transforme em um antitabagista xiita. Se você enquanto fumava conheceu um tipo desses, você sabe: todo esse discurso é ineficiente e ineficaz.

Muitas pessoas acreditam que precisam de um empurrão, na verdade um "susto" para tomarem tal decisão. Uma amiga, fumante, outro dia tomando um café me disse: "Só conseguiria parar se tivesse um câncer". Acho que não é necessário tanto extremismo. Acho que basta um pouco de certeza. Você deve ter certeza o suficiente para poder resistir as tentações que seu corpo irá te colocar. Ontem, estava desanimado pois quando anoitecia estava ficando muito fissurado para fumar. Não sei o por quê. Mas quando chego em casa do trabalho, por volta das 18:30h, me vem uma vontade devastadora de fumar. Ou melhor, vinha.

Para parar de fumar é preciso saber se desanimar. Como assim? Bom, uma das poucas coisas que o cigarro te proporciona antes de você decidir parar é saber que ele te faz ou fará falta. Eu mesmo, em muitas madrugadas de estudos na faculdade, já sai de casa de madrugada para comprar cigarros em um posto de gasolina. É uma situação ridícula se pegar andando de madrugada pelas ruas do Rio de Janeiro para comprar cigarros. De qualquer forma, se ele faz falta quando o maço está no seu bolso, imagina quando não está. Por isso, quando você decidir parar de fumar saiba que ele te fará falta, mas com o tempo você começa a perceber que ele não é tão "vital" assim. E claro, você irá se desanimar.

Você vai se desanimar, se sentirá inseguro, incerto de sua escolha. A imagem que me vem a cabeça é bíblica  Aquela em que Jesus vai ao deserto e por lá fica por longos 40 dias. Mas tem uma pequena diferença: essa vontade não dura mais que cinco minutos. E o que me desanimou mais, até então, é que em alguns momentos você se pega obcecado pelo cigarro. Não podemos fugir de certos sentimentos que identificamos como sendo não positivos. Por exemplo, ficar desanimado é desagradável, mas ninguém fica desanimado eternamente. Claro, existem pessoas com fortes tendências depressivas, mas ninguém acometido pelo desânimo da abstinência a nicotina ficará assim para sempre. É bom que você tenha consciência disso. Esse desânimo não durará para sempre! Desses poucos dias sem cigarro, tenho me sentido cada vez mais confiante. É preciso deixar seu corpo expulsar toda essa nicotina para fora dele. Os primeiros dias são meio confusos, mas acredite, você vai começar a se sentir muito melhor.

P.S: Não sei se ficou claro, mas aconselho que não use adesivos ou chicletes. O segredo: água, balas e chicletes diet.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Dia 3 - Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2012.

Hoje é o terceiro dia sem fumar e o segundo dia sem adesivo. Tenho percebido que existe uma fase de verbalização inerente a todo esse processo. É como se fosse necessário afirmar sua escolha o tempo todo. Meus amigos e amigas fumantes parecem adorar conversar sobre o assunto. Tenho procurado não fugir dos ambientes que frequentava, e claro, da companhia dos amigos (grande parte deles, fumantes).

Estou cogitando a idéia de iniciar alguma atividade física. Especialmente, no período noturno. Isto porque é a noite que tenho sentido as maiores aflições com relação a dependência. Ao mesmo tempo que tem me angustiado, tenho tentado redirecionar esse sentimento à meu favor: essa vontade significa que estou vencendo o meu vício em nicotina.

Tenho percebido que parar de fumar é, de alguma maneira, uma reconstrução de você mesmo. Isto porque fumei ao longo de 18 anos e tenho que confessar que não me lembro muito bem algum período de minha adolescência ou juventude em que não tenha fumado. Talvez se existiu esse momento, é provável que tenha sido tão curto que realmente não me lembro. Estou meio desanimado para escrever. Na verdade esse desânimo amanhã explicarei melhor. Cada dia que passa, vou me libertando dessa droga.

Amanhã, escreverei sobre certezas, incertezas, ânimo e desânimo...

Hoje, não quero falar muito.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Dia 2 - Rio de Janeiro, 18/09/2012.


"Água, água, muita água!". Essa é uma das estratégias para contornar as pequenas crises relacionadas com a abstinência de nicotina. Nos momentos de desespero, água é a solução! Água e bala Halls azul. Essa está sendo minha estratégia contra o vício.

Pois é, o nome é vício mesmo. Não adianta ficar tapando o sol com a peneira. Se você fuma, você é viciado, ou viciada, em nicotina, da mesma forma que muitos possuem outros vícios: cocaína, crack, heroína, álcool, etc. Acredito que parte do êxito do processo de para de fumar baseia-se no esclarecimento dessas verdades.

Verdades e mentiras. Ontem vi um filme chamado Easyway to stop smoking (no link abaixo encontrará instruções para baixar o filme, livro, cds, etc.), baseado nas técnicas do instituto Allen Carr para quem quer se livrar desse vício. Infelizmente, o vídeo está em inglês e, por mais que tenha procurado, não encontrei legendas. Mas, creio que vale o esforço de buscar mais que eu.

O filme baseia-se em estratégias de desconstrução das armadilhas elaborados por décadas pela indústria tabagista, pelo cinema e pelos fumantes. Vou colocar aqui, um pequeno exemplo dessa desconstrução:

1) Fumar relaxa.

Não, fumar não relaxa. O que acontece é que como seu organismo encontra-se dependente de contínuas doses de nicotina. O que acontece é que você supre as necessidades químicas do seu organismo. Simples assim. Fumar não relaxa. Você apenas condicionou sua mente para achar que cigarro relaxa. Como? Pelo simples fato de você ter associado, em diferentes momentos de sua vida, o cigarro aos momentos relaxantes, como por exemplo, após as refeições ou após o sexo.

2) Gosto do cheiro do cigarro.

Essa é a mais simples de todos os argumentos a serem desconstruídos. Não, você não gosta do cheiro. Se gostasse, não compraria incensos e aromatizantes para aliviar o ambiente esfumaçado. E ainda, se o cheiro fosse realmente bom, você não acha que a indústria química não teria inventado e disponibilizado no mercado um aromatizante dessa natureza?

3) Gosto do gosto do cigarro.

Por mais que você realmente goste do gosto do cigarro, isso não é um bom argumento para fumar. Por exemplo, se você gosta de lagosta, não significa que você irá andar por aí, com dezenas de lagostas penduradas para comer quando achar melhor.

4) Adesivos e chicletes de nicotina ajudam.

Ajudar é provável, mas o grande problema é que você pode ter parado de fumar, mas você continuará tomando pequenas doses de nicotina ao longo do dia. Talvez seja importante salientar novamente: você não é viciado(a) em cigarro, você é viciado(a) em NICOTINA! Você pode conseguir parar utilizando pequenas doses de nicotina diária e ir reduzindo paulatinamente. Talvez possa funcionar com aquele fumante inveterado. Mas acredite, os riscos de voltar a fumar são grandes, uma vez que é necessário ter consciência de alguns subterfúgios de escravidão da droga.

5) Fumar me concentra, me deixa mais seguro.

Não, fumar não te concentra. Simplesmente, como fumante, você deve saber que de tempos em tempos é necessário repor a quantidade de nicotina no organismo. Claro, você é viciado nessa substância. Assim, você é levado a crer que sua concentração e segurança social são aumentadas por conta da nicotina que ingere, por exemplo, quando está lendo um livro. Pessoal, se fumar auxiliasse na concentração de alguém, os setores de RH das empresas privilegiariam funcionários fumantes, uma vez que seriam trabalhadores mais concentrados que os não fumantes. Ou seja, não existe essa relação. Você nunca viu ninguém falando sobre a utilização de nicotina para pessoas portadoras de déficit de atenção. Ou já viu? Não, nunca viu.

Essas são apenas alguma dicas que acho que valem a pena, alguns minutos de reflexão. O mais importante do método do filme é ter a certeza da sua decisão e crer que o cigarro não te traz as vantagens que diz.

Uma dica fundamental: é comum, quando está parando de fumar se encontrar nos momentos de abstinência de nicotina, se pegar cogitando "Só mais um cigarrinho não vai fazer mal. Depois volto a parar". Não é bem assim. Quando esse tipo de pensamento vier te afligir, lembre-se: esse é um sinal de abstinência. O que deve fazer em casos como esse é ter a certeza de que essa aflição é um sinal de sua melhora. A nicotina, por mais que não pareça, tem uma baixa capacidade de produção de crises abstêmicas como a heroína. Acredite! Você consegue ficar sem cigarros. A saída é sempre estar adiando essa queda nos primeiros dias. Ao invés do só mais um cigarrinho, esteja convicto de sua escolha e reforce para você mesmo(a): NUNCA MAIS VOU FUMAR ESSA M$Rd&!


LINK PARA BAIXAR O FILME:

http://thepiratebay.se/torrent/4418188/Allen_Carr_-_Easyway_to_Stop_Smoking.avi

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Dia 1 – Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2012.




Hoje é decidi parar de fumar. Como estratégia adotada, resolvi na noite de ontem, domingo, me despedir do meu vício tomando muitos chopes e fumando o quanto pudesse.  Além da ressaca etílica, alcancei o objetivo: estou com uma ressaca de cigarros daquelas. Mesmo que eu não resolvesse parar de fumar hoje, não existe a menor chance de fumar o que for (charutos, cachimbos, cigarros, etc.) quando se tem uma atordoante ressaca de cigarro. Ou seja, nada melhor para começar uma segunda-feira e um projeto tão importante: devastando sua capacidade física e biológica por abuso e excesso de nicotina, alcatrão e sabe-se lá  mais o que.

Meus motivos são bem vulgares, contudo é bom explicá-los: me deparei numa madrugada de insônia abrindo um novo maço cigarro. Seria uma cena banal se não tivesse sido acompanhada pela iluminação: “Alerta! Você está fumando mais de um maço de cigarro por dia!”. Isso me deixou horrorizado. Boa parte dos fumantes, como estratégia de negação de vício, costumam fazer cálculos desse tipo. “Parar de fumar? Por quê? Só fumo tantos cigarros por dia”. Não tenho a intenção de propagar os discursos morais antitabagistas aqui. Por sinal, continuo repelindo as pessoas que me abordam com tais argumentos. Concordo que o tabagismo é uma questão de saúde pública, mas também creio que é uma opção individual inquestionável e inalienável. Cada um faz de sua vida o que bem entender. Por acreditar piamente nisso, hoje decedi parar de fumar.

O propósito desse diário é compartilhar minhas experiências, frustrações e reflexões com quem quer que esteja lendo esses relatos. Não me interessa quem é você, leitor, ou o por quê está lendo esses relatos. Não pretendo catequizar fumantes, engrossando o coro protofascista do “fumar faz mal”. Ora, isso todos mundo sabe. Inclusive, os fumantes. Talvez a baixa eficácia dessas campanhas antitabagistas baseiam-se nisso. Esses argumentos talvez sirvam para aqueles que ainda não fumam. Mas reforço, não é meu objetivo. Criei esse diário como uma forma de verbalizar as minhas angústias e reforçar minhas pequenas vitórias.

Como cada um tem suas estratégias, resolvi começar experimentando o tratamento a base de adesivos de nicotina. Por enquanto, uma vez que minha saúde ainda está debilitada pelos excessos da noite anterior, está funcionando. Vou escrever aqui, aos poucos, minhas impressões à respeito do tratamento. 


Uma vez que tudo isto foi dito, 

Saudações cordiais!